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Silvinha Poeta

O corpo fala

Textos


Vida no interior - parte I

Morar no interior tem muito de positivo. Dentre as melhores coisas, numa tarde de domingo, poder pegar frutas no pé, em dia de sol de verão, é, no mínimo, um regalo que poucos na região sabem desfrutar. Manga, laranja, e outras são exemplos do que podemos desfrutar.
Num dos cantos da cidade em que moro, altos de Rubião Júnior, Botucatu, à beira de estrada de terra, encontram-se vegetações rasteiras de campo e frutas da época.
A caminho do bairro Faxinal, logo a seguir Monte Alegre, a vegetação de terra árida e pobre em nutrientes expõe um quadro bucólico e surreal.
Pessoas malvadas e sem espírito ecológico jogam lixo nas beiradas. O crime não atrapalha a vegetação que, acostumada aos maus tratos, continua seu ciclo. E a cada estação entregam àqueles que valorizam o recato, o prazer pouco vislumbrado pela maioria.
É numa dessas tardes que desfruto do morar no interior e, no mês de dezembro, sem perder tempo, procuro visitar o lugar.
É verão e a chuva que rondou toda a região, apesar dos estragos, deflagrou uma tarde simplesmente linda e convidativa para a aventura que descrevo.
A terra fofa e cheia de lama não lembra a poeira de dias atrás quando da época de estiagem. Ao contrário, até ajuda.
Serei redundante ao dizer que tudo isso me lembra infância. Sim, fui educada no interior e uma das belezas que a vida me deu é poder descrever o que agora tenho a oportunidade de fazer.
Vegetação de baixo porte, folhas pequenas e de formato pontudo. Ao degustar uma frutinha redonda, bem pequena, de cor verde-amarelada, doce como o mel quando madura, a gabiroba, o que me vem, indelével, é a infância. Nesse lugar tem muitos pés de gabiroba.
Ah, as vezes que peguei com medo de ser “veneno” e perguntava a meus pais de podia comer. É uma delícia!
Ao apertá-la na boca, o sulco adocicado é um sinal de quero mais. E muito mais.
Fui e retorno, então, a essas paragens todos os anos à procura da fruta pequenina e deliciosa. A boa e gostosa gabiroba. Ih, até rendeu uma figura, aliteração.
Silvinhapoeta
Enviado por Silvinhapoeta em 01/12/2018
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